Consumo da Terceira Idade atrai as marcas

5 Maio

O potencial de consumo da população de terceira idade atinge R$ 7,5 bilhões por ano, exatamente o dobro da média nacional, de acordo com pesquisa da consultoria Indicator GFK. E a condição de vida dessa camada da população tem melhorado a cada ano, segundo pesquisa do IBGE, que mostra que 12,4% viviam com até meio salário mínimo em 2006, contra 25,1% em 1996.

O envelhecimento da população e os avanços da medicina, que aumentam a expectativa de vida, elevam ainda mais a quantidade de idosos, que já representam quase 10% da população brasileira – mais de 18 milhões de pessoas. E nas próximas duas décadas essa população deve dobrar de tamanho.

Até 2025, o Brasil será o 6º país do mundo em idosos, informa o IBGE. Algumas empresas começam a aproveitar essa oportunidade e passam a oferecer serviços diferenciados para esse público, fiel e com independência financeira. “Os idosos são consumidores fiéis e capazes de pagar até mais caro para uma empresa que ofereça um tratamento diferenciado para eles”, diz o diretor de planejamento e negócios da Gerencial Brasil, especializada em marketing de ponto-de-venda e promoções e eventos, Sidney Porto.

Os idosos também têm uma renda disponível maior, porque já possuem imóvel quitado e não contam com gastos mais comuns da juventude, como bares e boates, destaca Porto. “A renda pode não ser maior do que na época economicamente ativa, mas as despesas são mais baixas”, diz. O executivo aponta também a tendência de aumento dos gastos dos idosos em negócios como pet shop e internet. “Esses gastos crescem pela necessidade de não se sentirem solitários”, completa.

A imobiliária Lar Imóveis, de Belo Horizonte (MG), criou o sistema programado de pagamento para os idosos, no qual eles recebem o pagamento do aluguel do imóvel independentemente do inquilino pagar ou não. O diretor da imobiliária, Luiz Antônio Rodrigues, explica que a empresa tomou essa medida quando percebeu que o idoso funciona como uma ferramenta de marketing para a imobiliária. “Eles têm mais tempo para conversar com os amigos e familiares, e acabam fazendo uma propaganda boca-a-boca da imobiliária”, diz. O resultado é que 40% dos proprietários de imóveis para locação da empresa são idosos.

A Pilates Center, clínica de pilates, realiza um atendimento personalizado para os idosos, para no máximo duas pessoas por sessão e atendimento somente por fisioterapeutas profissionais, sem estagiários. “Eles são muito fiéis à tradição e bons serviços, são clientes maduros, que sabem o que querem e têm um poder aquisitivo já estabelecido”, diz a sócia da clínica, Renata Viana. Os idosos representam 40% do faturamento da Pilates Center.

O shopping center DiamondMall, pertencente à rede Multiplan, registra uma grande freqüência de idosos. “Eles preferem vir aqui e não nas lojas de rua porque se sentem seguros e bem atendidos”, diz a coordenadora de marketing do shopping, Lilian Santana. O centro de compras possui 31 “shopping-moças” que circulam fornecendo orientação sobre lojas e acessos, dando suporte aos idosos e familiares. “Elas auxiliam na movimentação, ajudando nas escadas rolantes ou com a cadeira de rodas.”

De olho na fidelização desse público, o Banco Real promove neste ano a nova edição do “Concurso Talentos da Maturidade”, para pessoas acima de 60 anos. São 12 mil inscrições para a edição deste ano. Criada pela Talent, a campanha leva o conceito de reinvenção do banco, para um público que também se transformou e hoje é superativo, trabalha, consome e viaja, diferente do mesmo target de dez anos atrás, conta a diretora geral de atendimento da Talent, Camilla Massari. “A idéia do banco é dialogar com esse público, é uma oportunidade de se relacionar e realizar uma troca com as pessoas da terceira idade.”

Autor do livro “A Idade do Poder”, que traça um estudo sobre o perfil de consumo da terceira idade, o diretor-geral de mídia e negócios da Talent, Paulo Stephan, diz que esse target aumentou o poder de consumo em razão dos avanços da medicina e da estabilização econômica. Stephan informa que existem 13 milhões de brasileiros acima de 50 anos das classes A e B no País.

As pessoas da terceira idade, destaca Stephan, cada vez mais freqüentam shopping centers, cruzeiros de navios, saem para jantar fora, namoram, navegam na internet, fazem aplicações financeiras e cuidam da aparência. “São consumidores assíduos, que procuram mais qualidade do que ostentação, e mais conforto do que luxo”, diz. Stephan observa, no entanto, que apesar do aumento do poder de consumo dos idosos, esse público ainda é pouco explorado pelas marcas no Brasil. “Não existem campanhas focadas para atingir esse público”, analisa Stephan.

Fonte: Gazeta Mercantil

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