Quebrando o paradigma: situação financeira do idoso é melhor do que a do jovem

9 Maio

SÃO PAULO – Eles chefiam 12,2 milhões de lares, o que corresponde a 22% do total no País. Apesar de serem tidos como dependentes financeiramente, boa parte dos idosos brasileiros sustenta suas famílias e sabe gerir o próprio dinheiro. Para se ter uma idéia, a situação do idoso é melhor do que a do jovem no Brasil.

De acordo com dados divulgados nesta terça-feira (2) pelo cientista social e ex-coordenador da ONU (Organização das Nações Unidas), José Carlos Libânio, os idosos têm uma massa de renda substancial de R$ 243 bilhões, o que significa que a cada R$ 4 ganhos no Brasil, R$ 1 está nas mãos de famílias com pessoas da terceira idade.

“Apenas 5% dos idosos e 2% das idosas relatam viver com dificuldades financeiras. É um mito achar que eles vivem mal”, afirmou Libânio, durante a palestra “Longevidade no Brasil e no Mundo”, que aconteceu no III Fórum da Longevidade da Bradesco Vida e Previdência.

Renda da terceira idade
A situação do idoso é melhor do que a do jovem, segundo informou o cientista social, porque ele tem mais poupança, contas bancárias e saldos. Além disso, outros 66% são chefes de família. “Eles têm capacidade de gerir o que têm. Se for olhar quem depende de quem, são os mais jovens que dependem dos mais idosos”.

Segundo os dados apresentados no Fórum, 85% dos idosos têm autonomia e independência financeira, sendo que 71% destes afirmaram ter controle total de suas despesas, enquanto outros 14% disseram que o controle é parcial. “O Brasil é diferente de outros países, aqui o idoso está mais absorvido pelo mercado de trabalho do que em outros países”, afirmou Libânio.

Outro dado interessante mostra que 83% dos idosos têm casa própria paga, considerando as pessoas com mais de 60 anos. “Um cenário que se observa é que a primeira coisa que queremos é ter um teto para morar. Tendo isso, começamos a nos preocupar com a segurança financeira. Hoje temos um boom da construção civil. A prestação cabe no bolso, com os juros menores e o alongamento dos prazos. À medida que diminui o déficit habitacional, aumenta a preocupação financeira”.

Os dados mostram que os lares chefiados por idosos estão, em sua maioria, concentrados nas famílias de menor poder aquisitivo, uma vez que 51% deles estão nas classes C (29%), D (17%) e E (5%). Outros 21% estão na classe B e 28%, na A.

Oscilação da renda do brasileiro
Conforme explicou Libânio, a renda do brasileiro costuma subir até atingir o pico aos 50 ou 60 anos de idade. Depois disso, ela cai, mas no Brasil essa queda é mais suave, na comparação com outros países, tanto que aos 75 ou 80 anos de idade, os idosos já têm uma renda equivalente àquela que adquiriram aos 35 anos. “Isso para todas as classes sociais”, ponderou Libânio.

Porém, quando a renda é desagregada por classe social, há um fenômeno interessante no Brasil: “a renda da classe A tem uma queda muito mais forte, quando chega a aposentadoria. Abaixo da A, ou nas classes B, C, D e E, chega no pico, permanece e depois tem uma leve queda”.

De acordo com Libânio, uma explicação para a situação seria que a renda fica mais estável por causa dos recursos da Previdência Social, no caso das classes menos abastadas. Já a classe A tem uma renda maior no final da vida profissional e não consegue a aposentadoria na mesma proporção do salário alto que ganhavam.

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